Candy Crush, Sugar Crush, Sweet, Delicious...
Se você nunca leu essas frases, você não está antenado ao fenômeno do momento. Se você não sabe qual é a sensação de passar a fase 29, 65, 147, 159, 213 e por aí vai, a sua vida anda meio sem emoção. Sim meus amigos. Candy Crush é o jogo da modinha. Fiz uma pesquisa na internet e descobri que são 900 milhões de pessoas jogando isso ao redor do mundo. Atualmente, esse app só perde para o Whatsapp, mas espera-se que o joguinho dos doces alcance em breve a primeira posição já que o comunicador agora não é mais gratuito.
Não há como explicar esse fenômeno. O jogo não é dos gráficos mais brilhantes e encantadores. A personagem do jogo (foto acima) é bem estranha e anda pendurada no fio, como se fosse uma marionete. O jogo é o famoso "combine 3", formula antiga e já cheia de jogos lançados e esquecidos. Mesmo com tudo isso, Candy Crush é capaz de entrar na mente de quem começa a jogar. Conheço muita gente que não jogava e agora não consegue largar o celular. A quem não joga, sugiro não experimentar.
Já disse algumas vezes que imparcialidade é um mito. Por isso, que fique claro que esse blog faz parte da multidão de jogadores de Candy Crush. Estou na fase 275 e não vou sossegar enquanto não chegar a 410 (já há previsão de novas fases). Pode ser o desafio de passar as fases, pode ser a competição com os amigos que jogam ou sei lá o que. Candy Crush é sucesso e meio que vai colocando seu nome na historia. Aos curiosos, o rapaz da foto abaixo se chama Tomy Palm e é o criador do jogo. Será que o cidadão fazia idéia do que estava fazendo ao criar essa novidade da King Games no meio de 2012? Duvido e muito
Bom, o objetivo aqui não é babar ovo do joguinho. Na verdade esse jogo pega carona na moda que virou os smartphones, apps, wi fi, 4g e mais outras coisas que até 3 ou 4 anos atrás não eram tão comuns. Fato é que essa tecnologia toda mudou a vidas das pessoas. Claro que não sou contra a tecnologia. Mas, se por um lado há o lado positivo de estarmos sempre conectados, antenados, ligados com o mundo e podendo fazer tudo com um celular, também vejo algumas coisas preocupantes em meio a essa onda de tecnologia portátil.
Um exemplo simples: quem anda de fretado de SP a Campinas sabe que uma hora na estrada é tempo pra chuchu. Há alguns anos haviam três grupos: os que dormem (do qual faço parte com muita honra), os que conversavam, jogavam truco e os que queriam assistir filme no fretado por não gostar/conseguir fazer as duas coisas anteriores. A rotina mudou. Ninguém mais quer filme no ônibus, cada um assiste o seu próprio filme. Truco agora é on line, com gente do próprio ônibus. Conversar muito pouco. Muitos continuam no trabalho a caminho de casa, muitos jogam Candy Crush, series, etc. Parece ate que a luz do ônibus está acesa, mas não. É tanta luz da tela de Notebooks, celulares, tablet's que a luz de leitura do ônibus logo vai ser retirado da lista de acessórios. O dia que o wi fi não funciona gera pânico superior ao engarrafamento na marginal ou pneu furado na Bandeirantes. A dependência está criada
Pior que isso. A geração que nasceu no ano 2000 acredita que não existia vida antes do Google, Youtube, Wikipédia, Iphone, Android e por aí vai. Pode fazer uma enquete. Pergunte a jovens de 15 anos se sabem o que significa pega bandeira, pega gelo. Não sabem cantar a música da barra manteiga (barra manteiga na fuça da nega 1, 2 , 3). Não sabem a emoção de ser o ultimo no esconde-esconde e dizer: 1, 2, 3 fulano livre...salva o mundo. Não sabem a regra do Sai do pic, o pic é meu foi a onça (?????) que me deu. Alias, nem sabem o que é pic. Só sabem dar tiros, jogos em primeira pessoa, atropelamento, matar zumbis, monstros, bandidos, etc. Pessoa que não chegou em casa sem a tampa do dedão por chutar uma sarjeta é um ser incompleto
E não se resume só a brincadeiras. A nova geração é acostumada a facilidade da pesquisa na net, do copiar > colar. Não sabem o que é ter que anotar a matéria porque tiram foto da lousa. A capacidade de argumentação, de desenvolver uma ideia e justifica-la desaparece a cada dia. Os valores mudaram, o mundo tá mais avançado, menos romântico. Mais pratico e menos poético. Iniciar uma conversa ao vivo virou um bloqueio pra muitos.
E o vocabulário? Daqui uns anos a nova gramatica / dicionário terão 100 paginas já que tudo hoje tá menor pra facilitar a digitação: pq, poko, loko, vlw, blz, flw e assim por diante. As proparoxítonas estão a beira da extinção!!
Não vou nem falar sobre o padrão atual de conquista, namoro, relacionamento e etc. Esse blog é de família
O grande problema aqui na minha opinião são as etapas não cumpridas no seu devido tempo. A ordem correta é infância, adolescência, juventude e vida adulta. Hoje a criança já faz coisa de jovem e o adolescente pensa que é adulto. Claro que quando chegar a ser adulto vai fazer o que? Coisa de criança. Pulou fases agora quer viver o que não viveu. E nessa onda maluca, vemos muitos dos absurdos que vemos por ai.
Claro que uma mudança nessa tendência é inesperada e difícil. Vai precisar de postura firme de pais, professores, da sociedade em geral e por aí vai. Mas, ninguém quer isso. O povo quer sossego. Deixa o filho fazer o que quer que ele não torra a paciência. No futuro.... espera chegar lá e vê o que acontece
E assim a vida vai ficando muito chata. Principalmente aos mais novos que levam vídeo game quando vão pra praia. Fica a dica pros maiores de 25 anos de tentar resgatar com nosso futuros filhos coisas bacanas de nossa idade. Trabalho longo, árduo, difícil, mas creio que fundamental pra que as próximas gerações não se tornem mentalmente inativas
Bom, enquanto pensamos e começamos a agir em como mudar essa tendência que o mundo vai tomando, alguém pode me mandar um passaporte no Candy Crush... Estou querendo começar uma fase nova (passei a 275 enquanto escrevia \o/)



Adorei! Concordo plenamente com seu texto.
ResponderExcluirOi Vanessa, obrigado pelo comentário. Só uma duvida: como você chegou até o blog? Abraços
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