terça-feira, 11 de março de 2014

93 ANOS EM 7 DIAS

Há uma semana estava pensando se deveria ou não escrever sobre minha avó. Confesso que na maioria do tempo estava decidido a não fazer isso. Não sei explicar o motivo de não querer escrever e confesso que ainda não sei direito o que me levou a mudar tão rápido e definitivamente de ideia que já estou aqui escrevendo. Pela primeira vez nesse blog não pensei no texto antes de escrevê-lo. Apenas sai escrevendo e por ai vai

Quero pedir desculpas a minha avó. Desculpas porque digo de coração tranquilo que a noticia de sua morte, ha exatos 7 dias, teve inicialmente o sentimento de perda e dor normais quando uma pessoa que se ama muito vai embora. Foram dois dias difíceis de se acostumar com a sua ausência. Mas, pensando bem, sinto um alivio agora e esse é o motivo de meu pedido de desculpas. Alivio porque era muito difícil ver o que o tal Alzheimer fazia com a sra. A sra não merecia passar por aquilo tudo, não merecia chegar ao ponto que chegou. E ver esse sofrimento interrompido é sim uma sensação de alivio pro meu coração

Desde que o Vô André se foi na virada do ano tivemos a alegria de voltar a conviver com a sra em nossa casa. Lembrou muito a minha infância e adolescência quando morávamos juntos. E esse tempo juntos foi que fez eu passar muito tempo com a sra e viver momentos excepcionais. Uma das coisas que mais chamam atenção em mim é que durmo 4 ou 5 horas por noite. Nunca mais que isso. E sei que puxei, certo D. Arminda? Como esquecer as muitas noites que a sra ficava vendo Hebe, Amaury Jr, Ione, Praça é Nossa ou ouvia radio e passava roupa enquanto eu ficava na sala jogando botão e fazendo corrida de carrinhos. Foi isso que me acostumou a ir dormir muito tarde e acho que assim serei até o fim. 

Sem contar que nessas altas horas da madrugada sempre vinhas as historias da família, do seu trabalho no hospital, de como era a minha bisavó (aparentemente muito brava a D. Elza). Tomávamos chá de camomila quase todo dia. Sempre acompanhados de algum biscoito, bolo ou pão que a sra preparava como nenhuma outra pessoa

Aliás, aqui vai o reconhecimento. Ninguém fez, faz ou fará polenta igual a sua. Minha mãe tenta e muito, mas não é igual (quando ela ler isso, vou ouvir um pacote). O molho de tomate do macarrão, os panetones e o pão italiano também jamais irão ser feitos com a mesma qualidade. Vai fazer muita falta viver tudo isso

Poderia escrever muitas outras coisas, momentos, lembranças aqui. Ficaria aqui uns 2 dias contando a primeira vez que fui pra praia, as festas, seu aniversario surpresa de 70 anos que foi inesquecível. E principalmente, o medo que eu tinha de dormir no escuro até os 10/12 anos. A sra ficava sentada na cama até eu dormir. Esse sempre foi nosso segredo (agora ja era). Mas, tudo bem, eu adorava a companhia.

Em resumo, os últimos meses foram difíceis. Doía muito ver que a sra não lembrava mais o meu nome. Egoísmo de minha parte ficar mal por isso e esquecer que muito mais sofria a sra. Sem saber talvez, mas sofria e muito mais que qualquer um de nós. E o melhor, mesmo em meio ao sofrimento, manteve-se em paz, sem reclamar e continuou sendo uma companhia agradável, engraçada e muito carinhosa. 

Depois de uma semana, consigo ter uma sensação de vitoria. As lembranças da doença ja nem existem. Volta a ficar vivo na memoria cada momento alegre de uma vida muito especial. História de avó e neto que muitos gostariam de poder contar e eu tive o privilégio de poder ter vivido.

Vencemos vó!!! Vencemos o sofrimento, a dor. Vencemos o cansaço. E as lembranças da vida vitoriosa que tivemos é que estão vivas. Elas também venceram esse mal que tentou destruir nossas lembranças. Sua vez de chorar Alzheimer, você não conseguiu apagar a historia que tivemos....

Ah, falta ainda uma coisa a fazer, mas essa será feita no dia que eu casar como era o trato que tínhamos ha muito tempo. Aguarde...

Vai lá vó! Descanse bem! Obrigado por tudo! Deixa que nós continuamos tudo por aqui

Arminda Mascarin
13/02/1921
03/03/2014

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

AO MEU AVÔ

Ao meu avô Andrea Mascarin (sim, Andrea com A no final, como bom italiano)

Não vou ousar te dizer que isso é uma homenagem porque acho que um texto num blog é coisa bem furreca pra se chamar assim. Sei que mesmo o Senhor tendo sido alguém que lia muito e sobre tudo, esse texto não será lido. Mas, isso não fará com que ele seja feito com menos capricho e sinceridade.

Apesar de se tratar de uma frase feita, um lugar comum, fiquei pensando ontem sobre a forma como tudo isso aconteceu e creio de verdade que foi o melhor que poderia ter acontecido pra ti. Acho que a melhor morte (muito esquisito escrever e pensar isso) foi a que aconteceu. Não houve dor, sofrimento. O sr não estava numa cama, parado, vegetando, sem um pedaço do corpo ha meses. Não estava impossibilitado de ir e vir, de ler, de falar, de pensar, de comer e etc. Como muitos dizem, o sr morreu cheio de dias. Foram muitos dias. Foram 90 anos, 5 meses e 24 dias. Mais ou menos, 33024 dias de vida. E muito bem vividos, aliás

Mais do que não sofrer a dor física antes de ir embora, foi colocado um ponto final no que mais te machucava: o impiedoso mal de Alzheimer que atingiu a vó Arminda (sua esposa) ha alguns anos e que hoje faz com que ela nem o reconheça. Ela não sabia mais quem o sr era, ela não saberá nunca que o sr não está mais aqui. Ao menos, o sr não terá mais que suportar a tristeza de ver a sua melhor metade de mais de 60 anos olhar pro seu rosto e não saber quem é. Espero nunca passar por isso. A dor deve ser maior que qualquer infarto. E mais, imagino se o sr tivesse que ver a vó Arminda em um caixão. Também seria dolorido demais. E Deus, em sua imensa sabedoria, privou o sr de tudo isso.

É claro que pra nós, mesmo olhando esse lado positivo, não há como não sofrer. Existem aqueles velhos carrancudos, resmungões, chatos (talvez eu seja assim). Mas, mas não era o seu caso. Simpático, educado, bonachão. Bom de papo como poucos, até porque lia muito e assuntos/argumentos não faltavam. Certeza de conversas inteligentes e divertidas

Eu admito que ter carregado o seu caixão e ter colocado o mesmo num buraco na terra não será a imagem que vou guardar. Ela ainda está viva, ainda machuca, ainda aparece quando a mente fica vazia. Mas, logo logo ela vai lá pro final da fila das recordações. Outros muito importantes e saborosos virão pra primeira fila.

Vou deixar a lembrança da leitura diária do jornal que foi o que me fez aprender a ler aos 4 anos de idade. Vou guardar o atlas com as bandeiras que eu adivinhava o nome e hoje sei a bandeira de Barbados, Sri Lanka, Botsuana, Suriname e coisas do tipo. Obrigado por ter me ensinado todos os jogos de baralho que se pode imaginar (truco, buraco, caixeta, escopa, escopa de quinze, vinte e um, rouba monte e mais um monte). E muito mais, minha primeira ida pra praia, os jogos de botão no tapete da sala, as musicas caipiras. E, a mais saborosa lembrança, os almoços de sábado quando a polenta cremosa ficava no meio da mesa. Metade sua, metade minha. As polentas não terão mais a mesma graça agora

Enfim, em 33024 dias bem vividos não serão esses últimos dois que vão estragar os outros todos que houveram. Vou guardar nossa ultima conversa, no dia 29/dez. Em 40 dias o sr leu os dois livros que trouxemos da viagem: um de Roma e um de Jerusalém. Leu e me explicou tudo. O que o sr leu em 40 dias, não li nos últimos 5 anos. E provavelmente nunca vou ler e assimilar com a mesma competência.

Ah, garanto que por mais que eu não concorde, deixarei sempre claro que três coisas o sr defendia com unhas e dentes: 1 - o homem nunca pisou na lua, aquilo foi feito em estúdio pra enganar o mundo. 2 - Getúlio Vargas foi o maior brasileiro de todos, o melhor presidente, etc. 3 - os militares devem voltar ao comando do país e tudo se resolver em 3 meses

Por fim, gostaria de fazer um pedido sincero de desculpas. Se o senhor tivesse me pedido pra fazer uma visita ontem e passar 20 minutos contigo, provavelmente eu daria uma desculpa e iria outra hora. Dai, com tudo que houve, consegui ficar 5 horas sentado ao seu lado, mas o sr não estava mais lá. Se somar o tempo que fui na sua casa em 6 meses, não dá metade do tempo entre hospital, velório e enterro. Acho que todo ser humano é assim, mas não vou usar como muleta. Peço desculpas por muitas vezes ter errado nas minhas prioridades

O senhor foi uma pessoa comum, um avô comum, que fazia coisas comuns, mas que fez eu e meus irmãos nos sentirmos netos excepcionais.

Obrigado

06/07/1923
31/12/2013


domingo, 15 de setembro de 2013

GERAÇÃO CANDY CRUSH

Candy Crush, Sugar Crush, Sweet, Delicious...



Se você nunca leu essas frases, você não está antenado ao fenômeno do momento. Se você não sabe qual é a sensação de passar a fase 29, 65, 147, 159, 213 e por aí vai, a sua vida anda meio sem emoção. Sim meus amigos. Candy Crush é o jogo da modinha. Fiz uma pesquisa na internet e descobri que são 900 milhões de pessoas jogando isso ao redor do mundo. Atualmente, esse app só perde para o Whatsapp, mas espera-se que o joguinho dos doces alcance em breve a primeira posição já que o comunicador agora não é mais gratuito.

Não há como explicar esse fenômeno. O jogo não é dos gráficos mais brilhantes e encantadores. A personagem do jogo (foto acima) é bem estranha e anda pendurada no fio, como se fosse uma marionete. O jogo é o famoso "combine 3", formula antiga e já cheia de jogos lançados e esquecidos. Mesmo com tudo isso, Candy Crush é capaz de entrar na mente de quem começa a jogar. Conheço muita gente que não jogava e agora não consegue largar o celular. A quem não joga, sugiro não experimentar.

Já disse algumas vezes que imparcialidade é um mito. Por isso, que fique claro que esse blog faz parte da multidão de jogadores de Candy Crush. Estou na fase 275 e não vou sossegar enquanto não chegar a 410 (já há previsão de novas fases). Pode ser o desafio de passar as fases, pode ser a competição com os amigos que jogam ou sei lá o que. Candy Crush é sucesso e meio que vai colocando seu nome na historia. Aos curiosos, o rapaz da foto abaixo se chama Tomy Palm e é o criador do jogo. Será que o cidadão fazia idéia do que estava fazendo ao criar essa novidade da King Games no meio de 2012? Duvido e muito


Bom, o objetivo aqui não é babar ovo do joguinho. Na verdade esse jogo pega carona na moda que virou os smartphones, apps, wi fi, 4g e mais outras coisas que até 3 ou 4 anos atrás não eram tão comuns. Fato é que essa tecnologia toda mudou a vidas das pessoas. Claro que não sou contra a tecnologia. Mas, se por um lado há o lado positivo de estarmos sempre conectados, antenados, ligados com o mundo e podendo fazer tudo com um celular, também vejo algumas coisas preocupantes em meio a essa onda de tecnologia portátil.

Um exemplo simples: quem anda de fretado de SP a Campinas sabe que uma hora na estrada é tempo pra chuchu. Há alguns anos haviam três grupos: os que dormem (do qual faço parte com muita honra), os que conversavam, jogavam truco e os que queriam assistir filme no fretado por não gostar/conseguir fazer as duas coisas anteriores. A rotina mudou. Ninguém mais quer filme no ônibus, cada um assiste o seu próprio filme. Truco agora é on line, com gente do próprio ônibus. Conversar muito pouco. Muitos continuam no trabalho a caminho de casa, muitos jogam Candy Crush, series, etc. Parece ate que a luz do ônibus está acesa, mas não. É tanta luz da tela de Notebooks, celulares, tablet's que a luz de leitura do ônibus logo vai ser retirado da lista de acessórios. O dia que o wi fi não funciona gera pânico superior ao engarrafamento na marginal ou pneu furado na Bandeirantes. A dependência está criada

Pior que isso. A geração que nasceu no ano 2000 acredita que não existia vida antes do Google, Youtube, Wikipédia, Iphone, Android e por aí vai. Pode fazer uma enquete. Pergunte a jovens de 15 anos se sabem o que significa pega bandeira, pega gelo. Não sabem cantar a música da barra manteiga (barra manteiga na fuça da nega 1, 2 , 3). Não sabem a emoção de ser o ultimo no esconde-esconde e dizer: 1, 2, 3 fulano livre...salva o mundo. Não sabem a regra do Sai do pic, o pic é meu foi a onça (?????) que me deu. Alias, nem sabem o que é pic. Só sabem dar tiros, jogos em primeira pessoa, atropelamento, matar zumbis, monstros, bandidos, etc. Pessoa que não chegou em casa sem a tampa do dedão por chutar uma sarjeta é um ser incompleto

E não se resume só a brincadeiras. A nova geração é acostumada a facilidade da pesquisa na net, do copiar > colar. Não sabem o que é ter que anotar a matéria porque tiram foto da lousa. A capacidade de argumentação, de desenvolver uma ideia e justifica-la desaparece a cada dia. Os valores mudaram, o mundo tá mais avançado, menos romântico. Mais pratico e menos poético. Iniciar uma conversa ao vivo virou um bloqueio pra muitos.

E o vocabulário? Daqui uns anos a nova gramatica / dicionário terão 100 paginas já que tudo hoje tá menor pra facilitar a digitação: pq, poko, loko, vlw, blz, flw e assim por diante. As proparoxítonas estão a beira da extinção!!

Não vou nem falar sobre o padrão atual de conquista, namoro, relacionamento e etc. Esse blog é de família

O grande problema aqui na minha opinião são as etapas não cumpridas no seu devido tempo. A ordem correta é infância, adolescência, juventude e vida adulta. Hoje a criança já faz coisa de jovem e o adolescente pensa que é adulto. Claro que quando chegar a ser adulto vai fazer o que? Coisa de criança. Pulou fases agora quer viver o que não viveu. E nessa onda maluca, vemos muitos dos absurdos que vemos por ai.

Claro que uma mudança nessa tendência é inesperada e difícil. Vai precisar de postura firme de pais, professores, da sociedade em geral e por aí vai. Mas, ninguém quer isso. O povo quer sossego. Deixa o filho fazer o que quer que ele não torra a paciência. No futuro.... espera chegar lá e vê o que acontece

E assim a vida vai ficando muito chata. Principalmente aos mais novos que levam vídeo game quando vão pra praia. Fica a dica pros maiores de 25 anos de tentar resgatar com nosso futuros filhos coisas bacanas de nossa idade. Trabalho longo, árduo, difícil, mas creio que fundamental pra que as próximas gerações não se tornem mentalmente inativas

Bom, enquanto pensamos e começamos a agir em como mudar essa tendência que o mundo vai tomando, alguém pode me mandar um passaporte no Candy Crush... Estou querendo começar uma fase nova (passei a 275 enquanto escrevia \o/)





terça-feira, 10 de setembro de 2013

INICIANDO OS TRABALHOS

Muito bem, depois de muitos anos pensando na hipótese de ter um blog, cá estou iniciando essa vida. Acho que a maior motivação é tentar ser um pouco jornalista pra honrar os boletos salgados de PUCC pagos ao longo de 48 meses da minha vida. Claro que sei que isso não terá muita repercussão, que não irá fazer cosquinha em nada nem ninguém, mas vou procurar colocar assuntos variados aqui e deixar minha opinião o mais imparcial possível (Mentira! Imparcialidade é um mito)
Valerá falar de qualquer tema desde que se mantenha o respeito no que escreve e, obviamente, tentar ser bem humorado na medida do possível
Veremos o que vai dar e onde isso vai chegar

Aguardem as cenas dos próximos capítulos!!